Hábito de Leitura

 

Como se tornar um(a) leitor(a)? O que faz uma pessoa gostar de ler? Ler com assiduidade é uma necessidade? É importante? Por quê? A maneira como uma criança é alfabetizada determina seus hábitos de leitura? Em que momento é importante apresentar os livros para as crianças? Como nutrir nos adolescentes o gosto pelos livros?

Essas e muitas outras perguntas permeiam as reflexões daqueles que pensam e se preocupam com os hábitos de leitura. Muitos teóricos discorrem sobre o assunto, levantam as potências e as dificuldades do letramento e da alfabetização dentro e fora da escola.  De toda forma, ler trata-se de uma prática social que historicamente foi – e, de certo modo, continua sendo – patrimônio de certos grupos mais que de outros.¹

Antes, era restrito à aristocracia. Hoje, com a  universalização do ensino, é dever da escola inserir crianças e adolescentes de todas as camadas sociais na cultura letrada. A escola exerce, assim, o papel de democratizar o patrimônio da leitura e da escrita. Fazer com que essas práticas sejam instauradas e universalizadas, no entanto, supõe enfrentar desafios e encontrar caminhos para superá-los, o que é feito por meio da escolha de ações didáticas que transformem ou mantenham hábitos de leitura. 
Formar praticantes da leitura e da escrita exige, no entanto, que esses sujeitos não apenas decifrem o sistema de escrita. Trata-se de ler nas entrelinhas, de assumir uma postura ativa frente à posição dos autores dos textos: “O que está sendo comunicado nesse texto? Eu gosto disso? Concordo? Compreendo?” Mapeando essa perguntas, os leitores em formação vão se tornando autônomos, e, de certa maneira, vão se colocando de maneira independente da letra do texto, porque sabem acrescentar-lhe seu próprio poder de reflexão. Sabem, assim, criticar; sabem também apreciar... Que sejam capazes, ainda, de estabelecer relações com outros textos, imagens, vídeos e experiências. No limite, que o texto seja um elo vivo entre quem lê e quem escreve. É, portanto, um desafio formar pessoas que desejam se embrenhar em todos esses mundos que a literatura oferece... Quando a escola assume esses desafios, as atividades mecânicas desprovidas de sentido são abandonadas. Atribui-se outro sentido para a leitura, para além da mera obrigação. Ler torna-se prazeroso, significativo.

Outra possibilidade que se abre, quando se encaram os desafios didáticos da leitura na escola, é colocar em cena uma visão escolar do ler mais próxima da versão social dessa prática. Não se trata apenas de realizar a função de ensinar a ler, mas de compreender seus sentidos sociais, seus desafios e suas possibilidades. Cabe às escolas construir e fortalecer diferentes caminhos didáticos para formar hábitos de leitura tão necessários não só para a sociedade, como para a auto realização – mas essa já é outra história...

Referências:¹LERNER, Delia. Ler e Escrever na Escola: o real, o possível e o necessário, Porto Alegre, Artmed, 2005

          

 

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